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22
nov 2018
quinta-feira 10h00 Ensaio Aberto
Ensaio Aberto: Guerrero e Muraro


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Giancarlo Guerrero regente
Roger Muraro piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Nikolai RIMSKY-KORSAKOV
Abertura A Grande Páscoa Russa, Op.36
Vasco MENDONÇA
Step Right Up - para Piano e Orquestra [Coencomenda SP-LX Nova Música]
Igor STRAVINSKY
Petrouchka (versão 1947)

 

Durante o Ensaio podem acontecer pausas, repetições de trechos

e alterações na ordem das obras de acordo com a orientação do regente. 

INGRESSOS
  R$ 12,00
  QUINTA-FEIRA 22/NOV/2018 10h00
  Compra Online
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

Leia o ensaio "Improviso em Homenagem a Stravínski", de Milan Kundera, aqui.


Leia o ensaio "Dialética da Sagração e Paradoxos da Primavera", de Jorge de Almeida, aqui.


NIKOLAI RIMSKY-KORSAKOV [1844-1908]
Abertura: A Grande Páscoa Russa, Op.36 [1887-8]
14 MIN

 

VASCO MENDONÇA [n. 1977] /COENCOMENDA SP-LX NOVA MÚSICA
Step Right Up - Para Piano e Orquestra [2018](Estreia Americana)
- JOYFUL, CELEBRATORY [JUBILOSO, FESTIVO]
- NOSTALGIC, SOMEWHAT DESPERATE [NOSTÁLGICO, COM CERTO DESESPERO]
- TRIUMPHANT [TRIUNFANTE]
25 MIN

 

/INTERVALO

 

IGOR STRAVINSKY [1882-1971] / STRAVINSKY ESSENCIAL
Petrouchka [1910-1] (Versão 1947)
- FESTA CARNAVALESCA
- NA CASA DE PETROUCHKA
- NA CASA DO MOURO
- FESTA CARNAVALESCA À NOITE
34 MIN


RIMSKY-KORSAKOV
Abertura: A Grande Páscoa Russa, Op.36

 

Rimsky-Korsakov emerge de sua autobiografia, Minha Vida Musical (1909) como uma pessoa sumamente equilibrada e dona de si; é surpreendente que uma cabeça tão fresca tenha gerado tanta combustão. Influenciou toda uma geração nacionalista e a imagem que se tem da música russa, propondo um estilo que caminha sobre a fina linha entre Ocidente e Oriente, entre cristianismo e paganismo.

 

O compositor já tinha um catálogo polpudo de obras orquestrais, incluindo três sinfonias quando, entre 1887 e 1888, regeu a estreia das três obras que fazem dele uma referência suprema na arte da orquestração, além de garantirem sua presença no repertório: o Capricho Espanhol, Op.34; Scheherazade, Op.35 e esta Abertura: A Grande Páscoa Russa, Op.36 (Svetly Prazdnik, que, em russo significa algo como Feriado Resplandecente). A partir dali, ele praticamente só compôs óperas até o final de sua carreira.


Apesar de ser um descrente, era fascinado por temas litúrgicos e, nessa abertura, tentou reproduzir “a impressão da missa na manhã de Páscoa, numa grande catedral apinhada de gente de todas as classes, […] o aspecto legendário e pagão desta festividade, e a transição da solenidade e mistério da noite do Sábado de Aleluia para as irrefreáveis celebrações pagãs-religiosas da manhã de Páscoa”. De fato, a Páscoa ortodoxa reveste-se de um ânimo visceral bem distante da Páscoa católica e cria um contraste marcante com o mistério da Semana Santa.


Para tornar mais vívida sua evocação, o autor baseou-se majoritariamente em temas extraídos de uma antiga coleção de cantos ortodoxos chamada Obikhod. Ao longo da partitura, ele insere pequenas descrições que revelam uma inclinação panteísta. A introdução é dominada por dois hinos, um entoado pelos sopros e o outro pelo violoncelo. As cadências do violino e da flauta representam a luz emanando do Sepulcro no momento da Ressurreição. O “Allegro” que se segue representa os festejos matinais, com o bimbalhar de sinos, ao final, combinado com mais temas litúrgicos e com os temas da introdução num clímax epifânico.

[2010]

 

FABIO ZANON
é violonista, professor da Royal Academy of Music
de Londres. Autor de Villa-Lobos (Publifolha,
2009). Desde 2013 é Coordenador Artístico-
Pedagógico do Festival de Campos do Jordão.


MENDONÇA
Step Right Up - Para Piano e Orquestra

[ENCOMENDA DA OSESP E DA FUNDAÇÃO GULBENKIAN (LISBOA), NO ÂMBITO DA PARCERIA SP-LX NOVA MÚSICA]

 

A imagem de um pianista sentado à frente dos músicos de orquestra é uma imagem estranha: partilha o mesmo espaço que aquela extraordinária mancha humana, mas separado por uma mancha preta inerte, uma espécie de barreira física e simbólica. Nunca exatamente no mesmo lugar, domina o espaço e é ameaçado por ele.


Com o seu instrumento passa-se algo de semelhante: tem uma relação com a orquestra, mas não há uma verdadeira intimidade — é como uma relação de cerimônia. Mas também uma relação de poder: pelo seu volume sonoro, âmbito, agilidade e resposta dinâmica, o piano é também o instrumento mais próximo da orquestra. Se a orquestra é uma esplêndida e caleidoscópica caixa de música, o piano é, seguramente, a mais deslumbrante máquina de som.


A palavra "máquina" é importante: na imensidão de coisas que um piano pode ser, a precisão e clareza de uma máquina é a metáfora adequada para o meu instrumento; um mecanismo de acolhimento de mundos tão diversos como o da ornamentação barroca ou os rituais de sinos africanos. Materiais que acabaram por definir o caráter dos três andamentos (áspero e extrovertido; interior e crepuscular; processional e ondulante), procurando sempre, em cada um deles, um equilíbrio diferente entre piano e orquestra, uma relação dramática instável entre quase iguais.


[2018]

 

VASCO MENDONÇA
compositor português, foi aluno de George
Benjamin e lançou recentemente, pelo selo
Naxos, um CD com peças orquestrais. Sua
obra já foi apresentada em importantes
palcos internacionais, como Philharmonie de
Paris, Concertgebouw e Elbphilharmonie.

 


STRAVINSKY
Petrouchka

 

O balé Petrouchka foi composto em 1910-11 e passou por uma revisão em 1947, quando Stravinsky o adaptou para uma orquestra reduzida. Trata-se da história de Petrouchka, o Polichinelo do teatro de marionetes da Rússia. Dividida em quatro quadros, a ação burlesca se desenrola durante o carnaval.


O primeiro quadro se passa em uma praça de São Petersburgo, onde ocorre uma festa popular. Os temas repetitivos, o colorido da orquestra e as rápidas mudanças rítmicas representam o tumulto alegre da multidão.


Tambores anunciam a aparição de um Charlatão que se prepara para apresentar seus bonecos mágicos ao público — Petrouchka, a Bailarina e o Mouro. Com sua flauta, o estranho homem entoa uma encantação, e os bonecos ganham vida e executam uma “Dança Russa”. Os tambores fazem a transição para o segundo quadro, em que Petrouchka, preso em sua cela pelo Charlatão, sofre até que a Bailarina entra na cela. O boneco explode de alegria (trompetes), mas com tanto exagero que a boneca o abandona e vai ao encontro do Mouro, deixando-o entre a melancolia e o desespero.


Uma vez mais, a passagem ao quadro seguinte é anunciada pelos tambores. Evocando o Oriente, sonoridades graves, com som de pratos ao fundo, representam o quarto do Mouro. Um trompete anuncia a entrada da Bailarina, e ambos dançam uma valsa. O par é interrompido por Petrouchka (novamente os trompetes) que invade, furioso de ciúmes, o quarto do Mouro. Porém, logo o infeliz boneco percebe ser mais fraco do que o rival e foge. As cordas, o trompete e as madeiras, em rápido staccato, ilustram a perseguição, que termina com Petrouchka apanhando do Mouro (tímpanos) e sendo expulso do quarto.


Os tambores anunciam o último quadro da obra, em que a ação volta à praça onde o povo festeja. A música retorna à alegria coletiva do quadro inicial. Após uma sequência de danças, o carnaval é interrompido por um trompete: Petrouchka surge correndo, perseguido pelo Mouro, que acaba por golpear o herói com sua espada. Após um momento de silêncio, as madeiras, em notas esparsas e agudíssimas, sugerem a agonia de Petrouchka. O Charlatão entra em cena — sons de fagote e clarone —, toma o corpo do herói e mostra à multidão que não passa de um boneco inanimado. Entretanto, quando o povo dispersa, a noite cai e a praça fica deserta, o fantasma de Petrouchka aparece — último solo de trompete — diante de seu dono, que foge aterrorizado.


[2011]


PEDRO FRAGELLI
é pesquisador do Instituto de Estudos
Brasileiros da USP.