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23
set 2018
domingo 19h00 Recitais Osesp
Recitais Osesp: Lukás Vondrácek


Lukas Vondráček piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Frédéric CHOPIN
Polonaise-Fantasia em Lá bemol maior, Op.61
Robert SCHUMANN
Carnaval, Op.9
Alexander SCRIABIN
Fantasia em Si Menor, Op.28
Johannes BRAHMS
Sonata nº 1 para Piano em Dó maior, Op.1
INGRESSOS
  Entre R$ 50,00 e R$ 122,00
  DOMINGO 23/SET/2018 19h00
  Compra Online
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa
FRÉDÉRIC CHOPIN [1810-49]
Polonaise-Fantasia em Lá Bemol Maior, Op.61 [1845-6]
12 MIN
 
ROBERT SCHUMANN [1810-56]
Carnaval, Op.9 [1834-5]
PREÂMBULO
PIERROT
ARLEQUIM
VALSA NOBRE
EUSEBIUS
FLORESTAN
COQUETE
RÉPLICA
ESFINGES
BORBOLETAS
ASCH – SCHA (LETRAS DANÇANTES)
CHIARINA
CHOPIN
ESTRELLA
GRATIDÃO
PANTALEÃO E COLOMBINA V
ALSA ALEMÃ
INTERMEZZO: PAGANINI
CONFISSÃO
PASSEIO
PAUSA
MARCHA DA “LIGA DE DAVI” CONTRA OS FILISTEUS
30 MIN
 
/INTERVALO
 
ALEXANDER SCRIABIN [1872-1915]
Fantasia em Si Menor, Op.28 [1900]
9 MIN
 
JOHANNES BRAHMS [1833-97]
Sonata nº 1 Para Piano em Dó Maior, Op.1 [1853]
ALLEGRO
ANDANTE
SCHERZO: ALLEGRO MOLTO E CON FUOCO
FINALE: ALLEGRO CON FUOCO
29 MIN
 
 
CHOPIN
Polonaise-Fantasia em Lá Bemol Maior, Op.61
 
Repertório essencial na formação de qualquer pianista, a obra de Fréderic Chopin (1810-49) pode ser considerada ao mesmo tempo fonte matriz e ápice do pianismo romântico. Sua escrita, profundamente idiomática, explora ineditamente o relevo do teclado, formado pela diferença de elevação entre teclas brancas e pretas (1). Schumann, Brahms e Scriabin – para citar apenas os compositores deste programa – tiveram sua obra como referência fundamental.
 
O próprio Chopin, contudo, não apreciava apresentar-se em concertos: preferia tocar nos salões da sociedade parisiense, que o acolheu bem desde sua chegada, ainda jovem, para instalar-se na capital francesa. Composta em 1846, a Polonaise-Fantasia em Lá Bemol Maior, Op.61, é um dos pontos culminantes do ciclo de peças inspiradas em danças da Polônia, seu país de origem. Embora o subtítulo Fantasia denote liberdade formal e caráter improvisatório – Chopin era um grande improvisador –, sua estrutura harmônica revela um cuidadoso planejamento composicional.
 
 
SCHUMANN
Carnaval, Op.9
 
Robert Schumann (1810-56) teve, em sua juventude, a intenção de tornar-se um pianista virtuoso. Em 1828, ele se tornou aluno de Friedrich Wieck (1785-1873), cuja fama como professor associava-se aos recitais prodigiosos de sua filha Clara Wieck (1819-96), então com 9 anos. A convivência do jovem pianista-compositor com a pequena virtuose resultaria, anos depois, em um amor que a furiosa objeção do pai não conseguiria conter: eles ficariam noivos em 1837 – após o término do noivado de Schumann com outra moça, Ernestine von Fricken (1816-44) – e se casariam em 1840 (2). Nesse período, contudo, Schumann lesionou irreversivelmente a mão pelo uso de um instrumento mecânico que prometia fortalecer seus dedos. Desistindo da carreira de pianista, ele voltou suas forças para a composição – tornando-se Clara sua principal intérprete (3) –, e passou também a escrever artigos de crítica musical. Em sua produção musical e literária materializam-se personagens que, mais que heterônimos, são verdadeiros alter-egos do compositor e prenunciam a tragédia de sua fragilidade psicológica, que o levaria a tentar suicídio e a falecer em um sanatório.
 
O Carnaval, Op. 9, foi composto em 1835 – ano em que Schumann terminou o noivado com Ernestine e secretamente passou a se relacionar com Clara; conheceu Chopin – compositor a quem tinha na mais alta estima; e assumiu a edição de uma importante revista de crítica musical (4). O título da obra alude a um desfile – talvez mais psicológico que literal – de personagens reais e imaginários: protagonistas da comedia dell’arte (“Pierrot”, “Arlequin”, “Pantalon e Colombina”), as alteridades principais do compositor, “Eusebius” e “Florestan” (o primeiro seu lado intimista e emotivo, o segundo sua face intempestiva e enérgica), Clara (“Chiarina”), “Chopin” (que parece não ter gostado nada do simulacro), Ernestine (“Estrella”) e “Paganini” (cujo virtuosismo Schumann admirava). No meio do ciclo estão as “Esfinges”: três sequências de notas, geralmente não tocadas, que consistem em células motrizes de toda a composição – em alemão, elas se traduzem nas letras “S.C.H.A” “A.S.C.H.” e “As.C.H.”, presentes nos nomes do compositor e da cidade natal de Ernestine, Asch. O ciclo termina com uma majestosa marcha, excentricamente em tempo ternário, na qual o triunfo da vanguarda musical sobre o conservadorismo é metaforizado pela vitória bíblica do Povo de Davi contra os Filisteus.
 
 
SCRIABIN
Fantasia em Si Menor, Op.28
 
Alexander Scriabin (1872-1915) nutriu desde tenra idade uma grande admiração pela obra de Chopin, estudando-a profundamente antes mesmo de ingressar no Conservatório de Moscou, aos 16 anos. Assim como Schumann, Scriabin lesionou a mão direita em decorrência de estudos desmedidos – o que, se não o impediu de seguir carreira como pianista, direcionou seu foco à composição. Sua produção para o instrumento revisita o pianismo de Chopin, com harmonias modernas e matizes russas – em cores que, sinestesicamente, ele de fato enxergava com os sons musicais. Em 1900, quando compôs a Fantasia em Si Menor, Op. 28, Scriabin já gozava de reputação internacional, lecionava no Conservatório de Moscou – posto que abandonaria em 1903 para construir uma nova vida na Europa ocidental, deixando para trás também mulher e filhos –, e flertava com os estudos de filosofia e misticismo que tanto influenciariam sua produção posterior (5). A Fantasia é uma de suas peças mais difíceis – seu título e brilhantismo ocultam, contudo, uma sólida coesão formal.
 
 
BRAHMS
Sonata nº 1 Para Piano em Dó Maior, Op.1
 
Em 1853, Johannes Brahms (1833-97), então com 20 anos, bateu à casa dos Schumann com o propósito de mostrar-lhes suas composições. Robert e Clara tinham renomada reputação – ele como compositor e ela como uma das maiores pianistas de seu tempo – e poderiam abrir portas ao jovem músico. Brahms sentou-se ao piano e tocou sua enérgica Sonata em Dó Maior, claro fruto do vigor de sua idade (6). Impressionado com o talento do rapaz, o casal o acolheu como seu protegido, dando início a uma relação que até hoje suscita conjecturas: Clara tornou-se muito próxima a Brahms, tocando suas peças e oferecendo-lhe conselhos musicais – laços que manteriam por toda vida. Quando Robert esteve internado, em seus últimos dias, contudo, foi Brahms – e não Clara – quem lhe fez a última visita.
 
 
1. Particularidades sobre o pianismo dos compositores aqui comentados remetem ao pianista e professor Sílvio Baroni.
2. Com o consentimento de Clara, Schumann chegou a processar Friedrich Wieck pelo direito de se casar com sua filha (PERREY, Beate [ed.]. The Cambridge Companion to Schumann. Cambridge University Press, 2007, versão digital).
3. Clara Schumann foi também uma compositora de mão cheia. Sua produção foi, contudo, limitada por suas obrigações como mãe (ela e Robert tiveram oito filhos) e concertista (suas turnês proviam uma parte considerável da renda familiar), somadas aos papéis atribuídos à mulher à época (MONTEIRO DA SILVA, Eliana. Clara Schumann: Compositora X Mulher de Compositor. São Paulo: Ficções, 2015).
4. Trata-se da Neue Zeitschrift für Musik (NZfM). Quatro anos antes, em seu artigo de estreia para o Allgemeine Musikalische Zeitung, Schumann escreveria sobre Chopin: “Tirem os chapéus, senhores, um gênio!” (SCHUMANN, Robert [traduzido e editado por PLEASANTS, Henry]. Schumann on Music: A Selection from the Writings. Dover Books, 1965, p.27).
5. BALLARD, Lincoln; BENGTSON, Matthew; YOUNG, John Bell. The Alexander Scriabin Companion: History, Performance, and Lore. Rowman & Littlefield, 2017, versão digital.
6. SWAFFORD, Jan. Johannes Brahms: A Biography. New York: Vintage Books, p. 40.
 
JÚLIA TYGEL é pianista, compositora e professora na Faculdade de Música Souza Lima
e no Ensino à Distância da UFSCar. É doutora em Música pela USP, com estágio
na City University of New York como bolsista CAPES/Fulbright.