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23
set 2018
domingo 19h00 Recitais Osesp
Recitais Osesp: Lukás Vondrácek


Lukas Vondráček piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Frédéric CHOPIN
Polonaise-Fantasia em Lá bemol maior, Op.61
Robert SCHUMANN
Carnaval, Op.9
Alexander SCRIABIN
Fantasia em Si Menor, Op.28
Johannes BRAHMS
Sonata nº 1 para Piano em Dó maior, Op.1
INGRESSOS
  Entre R$ 50,00 e R$ 122,00
  DOMINGO 23/SET/2018 19h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa
 
SCHUMANN
Carnaval, Op.9
 
Robert Schumann (1810-56) teve, em sua juventude, a intenção de tornar-se um pianista virtuoso. Em 1828, ele se tornou aluno de Friedrich Wieck (1785-1873), cuja fama como professor associava-se aos recitais prodigiosos de sua filha Clara Wieck (1819-96), então com 9 anos. A convivência do jovem pianista-compositor com a pequena virtuose resultaria, anos depois, em um amor que a furiosa objeção do pai não conseguiria conter: eles ficariam noivos em 1837 – após o término do noivado de Schumann com outra moça, Ernestine von Fricken (1816-44) – e se casariam em 1840 (1). Nesse período, contudo, Schumann lesionou irreversivelmente a mão pelo uso de um instrumento mecânico que prometia fortalecer seus dedos. Desistindo da carreira de pianista, ele voltou suas forças para a composição – tornando-se Clara sua principal intérprete (2) –, e passou também a escrever artigos de crítica musical. Em sua produção musical e literária materializam-se personagens que, mais que heterônimos, são verdadeiros alter-egos do compositor e prenunciam a tragédia de sua fragilidade psicológica, que o levaria a tentar suicídio e a falecer em um sanatório.
 
O Carnaval, Op. 9, foi composto em 1835 – ano em que Schumann terminou o noivado com Ernestine e secretamente passou a se relacionar com Clara; conheceu Chopin – compositor a quem tinha na mais alta estima; e assumiu a edição de uma importante revista de crítica musical (3). O título da obra alude a um desfile – talvez mais psicológico que literal – de personagens reais e imaginários: protagonistas da comedia dell’arte (“Pierrot”, “Arlequin”, “Pantalon e Colombina”), as alteridades principais do compositor, “Eusebius” e “Florestan” (o primeiro seu lado intimista e emotivo, o segundo sua face intempestiva e enérgica), Clara (“Chiarina”), “Chopin” (que parece não ter gostado nada do simulacro), Ernestine (“Estrella”) e “Paganini” (cujo virtuosismo Schumann admirava). No meio do ciclo estão as “Esfinges”: três sequências de notas, geralmente não tocadas, que consistem em células motrizes de toda a composição – em alemão, elas se traduzem nas letras “S.C.H.A” “A.S.C.H.” e “As.C.H.”, presentes nos nomes do compositor e da cidade natal de Ernestine, Asch. O ciclo termina com uma majestosa marcha, excentricamente em tempo ternário, na qual o triunfo da vanguarda musical sobre o conservadorismo é metaforizado pela vitória bíblica do Povo de Davi contra os Filisteus.
 
 
1. Com o consentimento de Clara, Schumann chegou a processar Friedrich Wieck pelo direito de se casar com sua filha (PERREY, Beate [ed.]. The Cambridge Companion to Schumann. Cambridge University Press, 2007, versão digital).
2. Clara Schumann foi também uma compositora de mão cheia. Sua produção foi, contudo, limitada por suas obrigações como mãe (ela e Robert tiveram oito filhos) e concertista (suas turnês proviam uma parte considerável da renda familiar), somadas aos papéis atribuídos à mulher à época (MONTEIRO DA SILVA, Eliana. Clara Schumann: Compositora X Mulher de Compositor. São Paulo: Ficções, 2015).
3. Trata-se da Neue Zeitschrift für Musik (NZfM). Quatro anos antes, em seu artigo de estreia para o Allgemeine Musikalische Zeitung, Schumann escreveria sobre Chopin: “Tirem os chapéus, senhores, um gênio!” (SCHUMANN, Robert [traduzido e editado por PLEASANTS, Henry]. Schumann on Music: A Selection from the Writings. Dover Books, 1965, p.27).
 
 
JÚLIA TYGEL é pianista, compositora e professora na Faculdade de Música Souza Lima
e no Ensino à Distância da UFSCar. É doutora em Música pela USP, com estágio
na City University of New York como bolsista CAPES/Fulbright.