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PRÓXIMOS CONCERTOS
04
nov 2018
domingo 19h00 Quarteto Osesp
Quarteto Osesp e Antoine Tamestit


Quarteto Osesp
Antoine Tamestit viola


Programação
Sujeita a
Alterações
Franz SCHUBERT
Quarteto nº 14 em Ré Menor, D 810 - A Morte e a Donzela
Wolfgang Amadeus MOZART
Quinteto de Cordas em Dó maior, KV 515
INGRESSOS
  Entre R$ 50,00 e R$ 122,00
  DOMINGO 04/NOV/2018 19h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

FRANZ SCHUBERT [1797-1828]
Quarteto nº 14 em Ré Menor, D 810 - A Morte e a Donzela [1824]
- ALLEGRO
- ANDANTE CON MOTO
- SCHERZO: ALLEGRO MOLTO
- PRESTO
42 MIN

 

/INTERVALO

 

WOLFGANG AMADEUS MOZART [1756-91]
Quinteto de Cordas em Dó Maior, KV 515 [1787]
- ALLEGRO
- ANDANTE
- MENUETTO: ALLEGRETTO. TRIO
- ALLEGRO
32 MIN

 

SCHUBERT
Quarteto nº 14 em Ré Menor, D 810 - A Morte e a Donzela

 

“Cada vez que escrevo sobre amor, encontro dor; cada vez que escrevo sobre dor, descubro o amor.”

 

Certa vez, em um de seus cadernos, Schubert escreveu essa frase. Acredito ser a chave para compreender toda sua obra da maturidade, se é que podemos chamar de maduras as últimas obras de um compositor que morreu aos 31 anos.

 

Na canção A Morte e a Donzela, escrita aos 21 anos, bem antes do quarteto que se inspirou nela, temos já a coexistência de amor e dor. A canção começa com um coral do piano, que representa a morte, interrompido pela voz da donzela, quebrando essa atmosfera lúgubre. O canto sereno, porém, não consegue se impor, atraído pelo buraco negro desse coral sem esperança.

 

Essa canção será o núcleo do quarteto, ou seja, seu movimento lento, cujo tema será variado e passará por metamorfoses inesperadas e cada vez mais dramáticas. Mas já no primeiro movimento, e já em seu início, a morte está presente. A célula inicial, afirmativa, parecendo esculpida, não tem harmonia alguma, sendo tocada em uníssono pelos quatro instrumentos, e soando aos nossos ouvidos como a representação musical de um esqueleto sem carne. Os silêncios são carregados de tensão, e assim, entre afirmações e vazios, já nos primeiros compassos, caracteriza-se uma de suas obras mais paradigmáticas.

 

O quarteto inteiro se serve também (Beethoven fez escola) da técnica da repetição obsessiva para os fins da construção da tensão e do drama. Muito já se escreveu sobre as “sublimes paragens” em suas Sonatas, Sinfonias, Quartetos. Se a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos, Schubert o evita, desenhando curvas que se cruzam, caminhos de montanha que parecem desviar e não querer chegar ao outro extremo. Como se, entre a vida e a morte, nosso amado compositor quisesse perder-se, para fugir do ponto final de sua existência.

 

MOZART
Quinteto de Cordas em Dó Maior, KV 515

 

O Quinteto em Dó Menor, KV515 de W. A. Mozart, é um dos resultados mais representativos da genialidade de um Mozart que tinha somente 31 anos, a mesma idade com que Schubert faleceu.

 

Em todo o século xviii nenhum outro compositor foi capaz de construir um primeiro movimento tão extenso e harmonicamente complexo. Temos aqui o Mozart mais extremo, aquele para o qual nada era bastante, para o qual sempre podia-se ousar mais, abrir novas portas, descobrir novos mundos. A riqueza temática deste primeiro movimento é absolutamente incomum para uma obra camerística da época, assim como extremamente incomuns são as explorações de tonalidades muito distantes da principal, coisa que só Haydn tem coragem de fazer.

 

Se tudo isso já é suficientemente ousado, o fato de usar uma segunda viola cria um precedente absolutamente único, que outros grandes compositores seguirão, como Brahms por exemplo, autor de outros maravilhosos Quintetos com duas violas.

 

O “Andante” que segue é mais um exemplo da extraordinária força teatral e expressiva das obras da maturidade mozartiana. Lembra, com seus diálogos constantes entre violino e viola, a Sinfonia Concertante (que será tocada pela Osesp na semana que vem). Mais uma vez, sua expressividade não precisa de um movimento lento. Mozart consegue, mesmo na leveza aparentemente superficial de um "Andante", dar voz a todos seus sonhos musicais mais ousados. As promessas de amor entre os personagens dessa ópera sem cena, se acumulam numa interminável troca de olhares, de palavras, de desejos. Tudo isson com poucas notas e cinco instrumentos.

 

Depois de um gentil “Minueto”, o Finale é um tour de force de virtuosismo instrumental, que encerra de maneira brilhante uma das grandes obras da história da música. Aqui se combinam expressão, simetria formal e surpresas que só poderiam ser concebidas por um grande homem do teatro, por um compositor que pensava na cena mesmo quando não estava escrevendo ópera.

 

EMMANUELE BALDINI
Spalla da Osesp desde 2005, integra o corpo docente da Academia
da Osesp, o Quarteto Osesp e o Trio Arqué. Em 2017 assumiu também
a direção musical da Orquestra de Câmara de Valdivia, no Chile.