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PRÓXIMOS CONCERTOS
09
nov 2018
sexta-feira 20h30 Sapucaia
Temporada Osesp: Stutzmann, Baldini e Schaefer


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Nathalie Stutzmann regente
Emmanuele Baldini violino
Horácio Schaefer viola


Programação
Sujeita a
Alterações
Wolfgang Amadeus MOZART
Sinfonia Concertante em Mi bemol maior, KV 364
Johannes BRAHMS
Sinfonia nº 1 em Dó Menor, Op.68
INGRESSOS
  Entre R$ 50,00 e R$ 222,00
  SEXTA-FEIRA 09/NOV/2018 20h30
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil

Falando de Música
Quem tem ingresso para o concerto da série sinfônica da temporada da Osesp pode chegar antes para ouvir uma aula em que são abordados, de forma descontraída e ilustrativa, aspectos estéticos das obras, biografia dos compositores e outras peculiaridades do programa que será apresentado em seguida.

Horário da palestra: uma hora antes do concerto.

Local: Salão Nobre ou conforme indicação.

Lotação: 250 lugares.

Notas de Programa

WOLFGANG AMADEUS MOZART [1756-91]
Sinfonia Concertante em Mi Bemol Maior, KV 364 [1779]
- ALLEGRO MAESTOSO
- ANDANTE
- PRESTO
30 MIN


/INTERVALO


JOHANNES BRAHMS [1833-97]
Sinfonia nº 1 em Dó Menor, Op.68 [1855-76]
- UN POCO SOSTENUTO. ALLEGRO
- ANDANTE SOSTENUTO
- UN POCO ALLEGRETTO E GRAZIOSO
- ADAGIO. PIÙ ANDANTE. ALLEGRO NON TROPPO,
- MA CON BRIO
45 MIN
 

 

MOZART
Sinfonia Concertante em Mi Bemol Maior, KV 364

 

A forma "sinfonia concertante" é uma derivação do concerto grosso barroco. A diferença fundamental entre os dois, além da linguagem musical, é o tratamento dos instrumentos solistas, que ganham aqui mais importância.

 

 

Antes desse "milagre musical", Mozart já havia escrito outras composições para vários instrumentos solistas. No verão de 1779, ele chega ao ápice delas, justamente com esta Sinfonia. Sabe-se que Mozart era tão hábil como violinista quanto como violista. No entanto, após mudar-se para Viena, em cada ocasião ele preferia tocar a viola – talvez até como forma de se rebelar contra seu pai, Leopold – e, assim, escreveu para si mesmo a parte da viola, de extrema dificuldade para a época.

 

Esta não é uma peça serena e ao longo dos dois primeiros movimentos percebe-se o drama que Mozart vivia, após a morte da mãe e os crescentes conflitos com o pai.

 

O Andante central é a representação dessa "tragédia interior". Uma tragédia vivida, simulando serenidade, cujo desespero nunca é exposto integralmente, ficando atrás de uma cortina; é sutil, e nesse sentido mesmo que interpreto a indicação de andamento: muitas vezes esse movimento é tocado excessivamente lento, como se fosse um adágio, o que, para mim, seria um exagero romântico e uma exteriorização da dor. Prefiro sugerir discretamente o caráter da peça sem cair na "especularização". O terceiro movimento, completamente diferente, parece ser uma tentativa de reviver e esquecer as dores da alma por meio do tempo di contraddanza (presto), cheio de espírito.

 

Uma característica interessante é o fato das cadências do primeiro e do segundo movimento terem sido escritas pelo próprio Mozart, o que nunca acontecera. Analisando esse único exemplo de cadência para instrumentos de cordas, fica claro o equilíbrio e a elegância de Mozart, até nos momentos mais livres, contradizendo a personagem que filmes e biografias pouco respeitosas construíram.

 

Enfim, seria hora de parar de considerar Mozart um gênio infantil e desregulado e de descobrir nele o triunfo da elegância, da simplicidade, farto de conteúdo, equilíbrio e bom gosto. Tudo isso num homem a quem o destino deu o dom – mas a um preço muito alto.

 

[2008]

 

EMMANUELE BALDINI
Spalla da Osesp desde 2005, integra o
corpo docente da Academia da Osesp, o
Quarteto Osesp e o Trio Arqué. Em 2017
assumiu também a direção musical da

Orquestra de Câmara de Valdivia, no Chile.

 

BRAHMS
Sinfonia nº 1 em Dó Menor, Op.68

 

Schumann caracterizou as primeiras sonatas para piano de Brahms como “sinfonias veladas” e incentivou o amigo a escrever para grupos maiores. Mas passaram-se 23 anos até que Brahms brindasse o mundo com sua Sinfonia nº 1. Já em 1854, o compositor havia reagido à sugestão de Schumann orquestrando o primeiro movimento de uma sonata para dois pianos, que logo se tornou o movimento de abertura de seu Concerto n° 1 Para Piano.

 

Uma nova tentativa veio logo a seguir, quando Brahms experimentou transformar sua Serenata nº 1 numa sinfonia — mas avaliou que era uma resposta inadequada à tradição sinfônica beethoveniana que tanto valorizava. No verão de 1862, o primeiro movimento de uma sinfonia em Dó Menor estava pronto para ser mostrado aos amigos, ainda sem a introdução lenta que seria acrescida à versão final da obra, concluída 14 anos depois.

 

No início dos anos 1870, Brahms disse ao regente Hermann Levi: “Nunca vou escrever uma sinfonia! Você não tem ideia de como é ouvir sempre os passos daquele gigante Beethoven marchando atrás”. O impulso final veio de Wagner, que, tendo afirmado que os verdadeiros sucessores da sinfonia beethoveniana eram seus próprios dramas musicais, abriu seu teatro em Bayreuth em agosto de 1876. Talvez Brahms tenha se sentido no dever de mostrar que a tradição beethoveniana ainda era capaz de suportar originalidade e profundidade no gênero sinfônico. Finalmente, em 4 de novembro de 1876, a Sinfonia nº 1 teve sua estreia, em Karlsruhe, com regência de Otto Dessoff.

 

Brahms aproveitou a ideia do início pré-temático que Beethoven usou na Nona e a adaptou nas linhas cromáticas divergentes que soam sobre os terríveis toques de tímpano que abrem sua Sinfonia nº 1. Também usou esse material pré-temático em todos os movimentos como força de ligação, com uma evocação especialmente forte no início do finale.

 

A peça também renova as formas beethovenianas dos movimentos, especificamente a forma-sonata do primeiro e do último movimentos, e a forma ternária para os movimentos internos. Isso se dá de uma maneira que levaria seus primeiros críticos a sugerir que a obra tinha um “programa secreto”. Embora não fosse o caso, a observação aponta para a natureza evocativa dos temas e dos tratamentos de Brahms.

 

O último movimento, por exemplo, começa com contrastes extremos: uma sombria evocação do material pré-temático combinada com uma amostra do tema principal do “Allegro”, levando ao tema da trompa e ao coral solene que se segue. O tema principal do “Allegro” indubitavelmente ecoa a melodia da “Ode à Alegria”, de Beethoven, com Brahms novamente evocando e reinterpretando o predecessor. A costura de todos esses elementos díspares é notável: a volta do tema da trompa é o clímax de recapitulação, e a volta do coral garante a euforia do final. Foi o regente Hans von Bülow quem chamou essa sinfonia de “Décima”, o que foi muitas vezes visto como um aval a Brahms como herdeiro de Beethoven.

 

[2015]

 

ROBERT PASCALL
é professor honorário de filologia da música
na Universidade de Cambridge e autor de
Brahms: Biographical, Documentary And
Analytical Studies
(Cambridge University
Press, 2008). Tradução de Rogério Galindo.